A Organização Mundial da Saúde estima que a expectativa de vida média mundial seja de 72,0 anos; no Brasil, ela chega a 75,1 anos (<http://www.who.int/gho/mortality_burden_disease/life_tables/situation_trends/en/>). A humanidade busca viver mais, mas, é claro, quer viver melhor. Com saúde e qualidade de vida.
O aumento da expectativa de vida está diretamente relacionado ao impressionante avanço tecnológico, dentre diversos outros fatores. Dispositivos médicos representam uma das faces interessantes da tecnologia do século XXI, auxiliando no diagnóstico, tratamento e monitoramento de bilhões de pessoas. Contudo, em paralelo à evolução desses dispositivos eletromédicos, associam-se os riscos de segurança. Esses equipamentos, de maneira geral, são mais utilizados ou utilizados por mais tempo que antes. Algumas vezes, não mais restritos a ambientes laboratoriais ou hospitalares. Nesse cenário, temos que a vida do usuário depende do desempenho do equipamento. Fato é que os equipamentos eletromédicos devem atender a requisitos de segurança estritos. Bilhões de pessoas dependem direta ou indiretamente desses equipamentos, e, considerando que a segurança, no final, é um balanço entre risco e benefício, experimentamos um mercado efervescente e dinâmico movido conjuntamente por empresas de alta tecnologia e startups inovadoras.
Bilhões é também a ordem de grandeza desse poderoso mercado (<https://www.trade.gov/topmarkets/pdf/Medical_Devices_Executive_Summary.pdf>). Em 2015 os Estados Unidos representavam 45% do mercado de dispositivos médicos, movimentando cerca de 140 bilhões de dólares, o que permite estimar em cerca de 300 bilhões de dólares o mercado mundial. Especificamente no setor de equipamentos eletromédicos, os norte-americanos exportaram cerca de 8 bilhões de dólares em 2015. Segundo a Markets and Markets, o mercado global relacionado à manutenção de equipamentos médicos saltará de 20,3 bilhões de dólares em 2017 para cerca de 33 bilhões em 2022 (<https://www.marketsandmarkets.com/Market-Reports/medical-equipment-maintenance-market-69695102.html>).
Destaque-se que, do ponto de vista do cidadão, os equipamentos médicos, muitos deles utilizados por leigos, devem ser eficazes e seguros. Nesse quesito, o metrologista Rodrigo Costa-Félix é uma referência ímpar, com seus mais de vinte anos de experiência com intensa atuação na normalização e realização de ensaios na área de equipamentos eletromédicos. Este livro desmitifica e traduz os principais aspectos da ABNT NBR IEC 60601. Trata-se de uma obra de referência imprescindível para os profissionais comprometidos com o desenvolvimento, a avaliação e a certificação de equipamentos eletromédicos.
O livro nasceu de um curso dedicado à série de normas técnicas IEC 60601 no qual a praticidade e objetividade, características inatas do autor, transformam um tema denso em uma viagem agradável e estimulante pelos aspectos mais importantes das normas IEC 60601. Note-se a fluência do texto e as ilustrações apresentadas no livro conduzindo o leitor. Exemplo vivo do didatismo do livro, destacam-se, ao final de cada capítulo, os textos “Finalizando” e “Para fixar o conteúdo”. O primeiro sintetiza o capítulo, enquanto no segundo questões norteadoras e fundamentais para sedimentação das informações desafiam o leitor. Tudo isso sem perder o rigor técnico e a precisão.
Num momento em que nossas vidas dependem cada vez mais de dispositivos médicos complexos e, ao mesmo tempo, de grande usabilidade, eficiência e segurança, profissionais capacitados no entendimento e na aplicação das normas técnicas IEC 60601 são cada vez mais demandados. Fato inegável é o papel dessa competência para o aumento da competitividade das empresas brasileiras, contribuindo para o desenvolvimento tão necessário ao Brasil.
José Mauro Granjeiro
Graduado em Odontologia pela Universidade de São Paulo (1989), Mestre em Ciências em Bioquímica pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e doutor em Ciências em Química pela Universidade Estadual de Campinas (1998). Obteve o título de livre-docente pela Universidade de São Paulo em 2001. Atualmente é Especialista Sênior em Metrologia e Qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). É Professor Associado da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal Fluminense e Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia do Inmetro. Publicou mais de 360 artigos em periódicos indexados e possui fator H = 25 pela Web of Science. É pesquisador do CNPq (nível 1B) e Cientista do Nosso Estado da Faperj. CV Lattes: <http://lattes.cnpq.br/8928414093493138>.